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A PROPOSTA: O MAIOR MILAGRE ECONOMICO DA HISTORIA
Chega o dia da apresentação da proposta real de premio para os comunas.
No dia determinado pela intimação real, a comunidade dos pastores e agricultores do reino compareceu ao auditorium real, devidamente segregada conforme os termos da convocação real pronunciada pelo comunicador real no parlatório oficial. Primeiro os pastores, pela manhã, depois os agricultores, à tarde. Sem que uns pudessem conhecer os termos e condições apresentadas aos outros, conforme o entendimento do grande mestre da política daquele século, Maquiavel, que determinava para o caso, “dividir para governar”, anunciado em livro denominado o Príncipe, de cabeceira daqueles que decidiram pautar suas vidas pelos gestos e pela forma de que os “fins justificariam os meios”.
A apresentação da proposta alardeada do premio real para os comunas, - que pleiteavam melhores ganhos materiais pelos serviços que executavam-, foi feita pela manhã aos pastores, que ainda solicitavam um melhor critério de progressão que possibilitasse a sua ascensão futura a categoria de cidadãos pastores de primeira classe, e a tarde aos agricultores, já detentores da categoria de cidadãos agricultores de primeira classe, surpreendeu e indignou a todos pela completa incoerência e fraude à boa fé dos auspiciosos trabalhadores.
A proposta era um terrorismo, um novo modo de tortura desenvolvida para aqueles que não deveriam ser conduzidos as masmorras, por serem úteis na produção dos bens do reino. E mais que isso..., era o massacre da última esperança e crença ainda guardada na mente daqueles desvalidos por não estarem nas mesmas condições dos “construtores” do engodo, hoje déspotas, que até pouco tempo também pertenciam aos comunas, mas que, enfeitiçados pelo brilho do ouro dos tolos, tornaram-se ufanos e prepotentes, e capazes do uso do poder a qualquer preço para garantir as benesses da corte, a se sujeitarem a “construir” e assumir tal proposta de cunho do exagero do incógnito, da fantasia, do inatingível, um verdadeiro castelo de areia sob a tempestade, como a bondosa e única forma de premiar os seus antigos pares.
De acordo com a proposta, os pastores teriam que fazer as suas crias parirem, em média, ¼ (um quarto) a mais no mesmo período de reprodução, para que a bondosa proposta real os premiasse com 80 (oitenta) mãos de boi ou pés da vaca, como exemplo para todos os bichos quadrúpedes, sempre as patas da direção da urina, ou 80 (oitenta) pés dos bípedes, para cada 80.000 (oitenta mil) crias. Além, claro, da possibilidade de se tornarem cidadãos pastores de primeira classe diretamente pelas mãos dos sacerdotes quando da extrema-unção.
Como forma justa, os agricultores também teriam que produzir os seus grãos e frutos com tamanhos ou quantidades acrescidos, no mínimo, numa média de ¼ (um quarto) a mais no mesmo período de safra, para virem a galgar o bondoso premio real de 80g (oitenta gramas), sempre os fora de padrão (quebradiços, bichados, etc.), para cada 80.000kg (oitenta mil kilogramas) de grãos e frutos de alto padrão colhidos e entregues nos armazéns reais.
Tudo exposto pela governadora, aspirantes a nobres, e chumbetas do poder, de forma reluzente como o falso ouro e condescendente e igualitário só comparado a um socorro divino semelhante aos prometidos nos cerimoniais aos deuses, exercidos pessoalmente pelo salvador de almas, destruidor dos males, afastador de encostos, etc., Supremo-Sacerdote Edius Macedus, da Sagrada Congregação Universalius e ainda com a benção do Sacerdote-Mor Osamus Binlabus com a garantia de uma morte honrosa envolta por num colete de TNT e premiada com 40 virgens no céu. A proposta atingiu em cheio as aspirações e a credibilidade dos comunas que agora se sentiam sós, humilhados, esnobados, embromados, desrespeitados e abandonados pela família real e seus asseclas, e sem uma proposta factível para o mundo real.
Diante dos fatos, os comunas, ainda na esperança de sensibilizar a Rainha, que fora convidada a se reunir com os suplicantes no dia seguinte a apresentação da proposta pela governadora e a corte, no galpão alugado na pousada Massayo, objetivando conseguir discutir o problema da falta de uma proposta coerente que atendesse as aspirações dessa classe trabalhadora que há mais de uma década sofre os efeitos de ser prejudicada pela falta de atualização de suas rendas. Mas, ...mais uma vez, os comunas foram desprestigiados e desconsiderados pela Rainha, que não compareceu e supostamente enviou um representante do seu baixo clero e um chumbeta do poder, em direto sinal do diminuto prestigio e acintosa falta de compromisso com as necessidades desses profissionais responsáveis pela produção dos bens de capital do reino e que são tratadas como algo que possa ser rolado como esterco.
Os enviados do reino, em especial o chumbeta possuído pelo espírito dos grandes economistas e ainda dos mestres da administração de negócios, se esforçou em sua incumbência, e até profetizou a segurança da miraculosa proposta, que seria também a redenção das contas impagáveis do reino, acumuladas pelas sucessivas desordens, irresponsabilidade, incompetências e falcatruas dos governantes reais, com a autoria ou co-autoria intelectual e a participação incondicional dos representantes da corte, necessários a dar autenticidade aos famosos planos mirabolantes de atentado direto a boa fé, e ao direito, com prejuízos aos cofres do reino e implementados com sucesso devido somente a participação dos articuladores reais responsáveis pelas suspeitas análises das leis existentes ou fabricantes de leis novas para dar ar de legalidade a essas mafiosas interpretações ilegais, justificadas pelo belo som das moedas de ouro em suas mochilas, pagas como cala-bocas a corte e aos representantes comunitários pelegos.
Também aos representantes comunitários, que tiveram o seu tempo de gloria e de honra, mas como na letra da toada popular “... se subiu, ninguém sabe, ninguém viu... porque para subir você desceu...”, que mesmo com os sofrimentos da vida não justificaram os motivos para modificá-los para pior, a pelegarem a proveito dos seus interesses particulares, as suas sedes pela fonte e suas fomes pela cozinha reais, pelos títulos e as benesses, mesmo que provisórios, da realeza, algumas alcançadas em suas ausências pagas com ganhos de “gatos” porque não produzindo não poderiam receber os prêmios dos pastores ou agricultores regidos por lei real própria, premio só atribuído para representante sindical, valores e benesse de permanecer por anos deitados em berço esplêndido, valores recebidos primeiro de pré-cartórios supervalorizados utilizando o prestigio da entidade, ou mendigando um mísero condado para se refugiar contra o trabalho árduo e desgastante exposto às intempéries da vida exercido pelos seus iguais.
Nessa situação, os comunas em maioria, decidiram rezar aos deuses e prometeram dar-se a penitência de que caso a graça alcançada de suas pretensões não aconteça, permanecerem unidos em vigília e preces inicialmente por oito dias, a partir do dia do Senhor, com a pré-disposição de manter o ato de fé pelo tempo necessário ao atendimento das preces pelos Deuses para interferir na vontade dos governantes de conceder ao menos os míseros prêmios anunciados na proposta real sem a vinculação à profecia da multiplicação dos recursos divulgada e defendida pelos enviados do Rei.
José Adilton Alves Santos – Fiscal de Tributos e Cidadão. 11/03/2008 |