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ENTREVISTA Imprimir E-mail
"O Fiscal de Rendas é um dos profissionais mais valiosos do Estado de Direito Democrático"

     Sérgio Cabral iniciou sua carreira em 1990, como Deputado Estadual, aos 27 anos. Quatro anos mais tarde foi reeleito com expressiva votação, recebendo 168 mil votos. Este fato garantiu a vitoriosa candidatura a presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro – Alerj, cargo que exerceu durante oito anos. Nas eleições de 2002, foi eleito senador com mais de quatro milhões de votos.

     O atual governo é adepto à política da concessão de incentivos fiscais, fato que acarreta em queda vertiginosa da arrecadação de tributos. O senhor é contra ou a favor desta prática?

     A política de incentivo fiscal não deve ser abandonada nunca, porque ela atrai novas empresas. O Estado do Rio Janeiro trouxe a Peugeot, a Volkswagen, a Cintra, a Schincariol, enfim várias empresas que vieram para o Estado em função de estímulos fiscais, que acabam sendo revertidos positivamente, não só pela geração de empregos, como também no aparecimento de novas indústrias, que vêm a reboque das maiores. A Governadora Rosinha lançou agora um pacote de incentivo fiscal para a região do Noroeste Fluminense e do Centro-Norte Fluminense. São regiões muito pobres, que precisam de estímulo fiscal para atrair novas empresas. Nós temos um vizinho, o Espírito Santo, que tem política muito agressiva nessa área. A competição, desde que não prejudique a arrecadação, é muito bem-vinda. Tanto a Governadora Rosinha, quanto Garotinho, fizeram um bom trabalho no que se refere a incentivos fiscais.
 

Como Senador, o senhor colaborou com o Grupo Fisco, sendo solidário na luta durante as Reformas Tributária e Previdenciária. Nesse momento, que expectativas o senhor tem em relação à Reforma Tributária? Quais são os prós e os contras destas novas regras?

     A Reforma Tributária teria que desconcentrar a arrecadação da União. Com a criação da chamada contribuição, que não é tratada como imposto, quase 65% do valor pago pelos contribuintes fica nas mãos do Governo Federal. A União não é obrigada a repartir esta contribuição com os estados e municípios. Este fato gera uma desigualdade, enquanto as atribuições são todas dos estados e dos municípios. O princípio federativo está completamente desrespeitado pela União. E o Governo não se emociona com isso. Durante todo o ano chegam em Brasília caravanas de prefeitos e governadores reivindicando essa desconcentração da renda. E, o Governo Federal não faz nada para mudar essa situação. Isso é muito grave, porque os cidadãos, apesar de viverem na União, moram nos estados e nos municípios. Portanto, as políticas públicas são desenvolvidas localmente e o repasse de verbas não acontece da maneira correta.
    

     A atual arrecadação de tributos do Rio de Janeiro é menor que a do estado de Minas Gerais e, hoje, quase inferior ao Rio Grande do Sul. O senhor tem alguma sugestão - para o Governo atual, ou para os Fiscais de Rendas - que possa reverter este quadro? O aumento de arrecadação faz parte do seu plano de governo?

      Sobre a situação atual, eu tenho pouco a comentar, por não ter informações mais detalhadas a respeito. Mas, posso assegurar que, caso eleito governador, a receita será prestigiada pelo meu governo. Pretendo dar importância àqueles fiscais com melhor atuação na arrecadação de impostos, sem dúvida. O Fiscal de Rendas está à frente da política de arrecadação. Eu não tenho dúvidas de que nós promoveremos um aumento de arrecadação, com uma política inteligente de tributação, diminuindo o peso dos impostos para o pequeno e o médio empresário. Desta forma, não afastaremos as empresas do nosso Estado e, ao mesmo tempo, buscaremos a eficiência na arrecadação do Rio de Janeiro. 

    O último concurso para Fiscais de Rendas ocorreu em 1989. O déficit no quadro estadual já representa mais de 60%. O presidente do Sinfrerj, João Bosco, é um dos grandes defensores da realização de um concurso para a admissão de novos Fiscais. Como o senhor analisa essa situação?


     Eu acredito no concurso público. Os concursos devem ocorrer com freqüência em carreiras como as da área de segurança pública, magistério, saúde e receita. Eu lembro que, durante os oito anos que presidi a Assembléia Legislativa, havia excesso de funcionários em áreas absolutamente desnecessárias. Nós acabamos com isso, e ao mesmo tempo valorizamos o concurso nas áreas indispensáveis, como informática, taquigrafia, entre outras do Legislativo. Eu agi assim quando fui presidente da Assembléia, e agirei assim também como Governador do Estado, abrindo concurso público para a entrada de novos profissionais na receita. 
     

     Como candidato à Governador do Estado, qual é a importância do Fiscal de Rendas para o senhor?

     Quando lutei contra a Reforma da Previdência no Senado Federal, em 2003, chamei a atenção para algumas carreiras essenciais no Brasil, seja no município, no estado ou na união. Uma delas é a de Fiscal de Rendas. Estes profissionais qualificados defendem o erário público a serviço do Estado, e conduzem os tributos até o Tesouro, para que seja feito o uso correto deles, destinando-os para educação, saúde e segurança. O Fiscal de Rendas é um dos profissionais mais valiosos do Estado de Direito Democrático. 

     O Senador tem conhecimento sobre o triste episódio que manchou a reputação da Classe Fiscal do Rio de Janeiro. Que medidas o senhor tomaria, como Governador do Estado, para coibir a corrupção?
    

     Eu acredito que a solução está em estabelecer um comando técnico, com medidas de controle da própria categoria, e com a colaboração do Sindicato. João Bosco e seus dirigentes têm uma liderança no setor, atuando com uma política transparente de participação. Os Fiscais de Rendas devem passar por uma avaliação permanente de gerência. O gerenciamento transparente inibirá qualquer tentativa de corrupção. Quanto mais transparência, melhor. Além disso, sempre optar por escolhas técnicas para os postos da fiscalização do Estado.


     A Secretaria de Estado da Receita está totalmente sucateada. Em muitas inspetorias não há toner para a impressão dos autos de infração. Como Governador o que o senhor fará para melhorar as condições de trabalho da categoria?

     O Estado tem que priorizar três áreas fins, que são: saúde, segurança e educação. Esta deve ser a essência do Estado. Mas, para isso, é necessário valorizar a área meio, ou seja, a arrecadação. Nós vamos dar estrutura suficiente para a Secretaria da Receita Estadual se fortalecer e ser capaz de aumentar a arrecadação. Para o Estado funcionar – o que custa caro - é preciso uma política de arrecadação inteligente, transparente e produtiva. Esta será a nossa política.

     A maior parte dos nossos sindicalizados é formada por pessoas acima dos 65 anos. Se eleito, a terceira idade continuará sendo prioridade no seu governo?
 

A terceira idade será sempre prioridade em qualquer mandato que eu estiver. Como Deputado Estadual e presidente da Alerj, fui autor de muitas leis em benefício dos idosos. E, como Senador, fui relator do Estatuto Nacional do Idoso. Como Governador, certamente transformarei o Estado do Rio em exemplo de tratamento a criança e ao idoso. Porque eu acredito que são as duas pontas que merecem uma atenção especial do Poder Público e da sociedade.


     O que o senhor espera da relação com o Grupo Fisco Estadual?
   

Quando eu fui presidente da Alerj, tive uma excelente relação com o Sindicato dos Fiscais de Rendas, com o Sindicato dos Professores, com o Sindicato dos Policiais, e interagi muito bem com os funcionários públicos. Eu sou filho de uma professora, na minha família tem funcionários públicos e eu sou um servidor público. Eu respeito a categoria. Resgatar a dignidade, dar bom salário e condições de trabalho são as minhas metas. Podem contar comigo.


     O Sinfrerj tem uma batalha judicial, referente ao Mandado de Segurança 605/93, contra o Governo do Estado, que insiste em não cumprir a decisão da justiça. O que o senhor pode falar a respeito deste assunto?

     Eu acredito que o ótimo é inimigo do bom. Então, caso eleito governador, a minha posição será a de chamar a Classe para um entendimento. Dentro do possível, pretendo começar a pagar os compromissos já definidos pela justiça como direito da categoria, de uma maneira que o Estado possa pagar. Mesmo que seja um valor pequeno por mês, o acordo será pago.

Fonte: SINFRERJ - Data: (08/12/2006)
  
Atualizado em ( 28-Dez-2006 )
 
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