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O fim da era Gilmar
Nesta semana o ministro Gilmar Mendes se despede da presidência do Supremo Tribunal Federal e com ele esvai-se uma série de questionamentos sobre sua conduta de ministro no período em que comandou a alta corte do Judiciário do país. Em Alagoas, por exemplo, pergunta-se o que foi feito do pedido feito pelo Tribunal de Justiça de intervenção na Assembleia Legislativa que dorme no STF há quase um ano? Já os jornalistas questionam sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. O Ministério Público sobre as críticas feitas sobre a atuação de promotores no acompanhamento de inquérito e os policiais federais também indagam sobre o pronunciamento de Mendes que considerou abusiva as operações que utilizavam algemas, principalmente depois da prisão do banqueiro Danniel Dantas. Por tudo isso, o ministro Gilmar Mendes foi considerado como uma voz da direita conservadora no Judiciário, principalmente por defender foro privilegiado para políticos e autoridades. Mendes, por sua vez, utiliza o título de uma composição da cantora francesa Edith Piaff "Je ne regrette rien" (não me arrependo de nada) para confirmar que agiu correto e afirmar que deixa o Judiciário mais forte. E, neste sentido, cabe uma ação positiva que foi a implantação do Conselho Nacional de Justiça. O colegiado revelou fatos escabrosos do Judiciário brasileiro, até então desconhecidos. A ação de seus integrantes mudou o comportamento dos tribunais de Justiça do país e aqui em Alagoas ficou evidente perceber a ação diante da atuação dos magistrados durante a Operação Taturana. A aceleração de processos criminais tamb ém entra no rol dos fatos que ganharam notoriedade na gestão de Gilmar Mendes, bem como o périplo feito pelo país para analisar os milhares de inquéritos parados e sem conclusão. Foi daí que se descobriu que, em Alagoas, quatro mil homicídios sequer foram investigados e, consequentemente, não estão nos arquivos da Justiça. Porém, a forma controversa de Gilmar Mendes como presidente do STF, dando palpites na política, no cotidiano, invadindo as atribuições das instituições e ameaçando acabar com profissões, deixa uma marca negativa no ministro que se estabelecerá na história do Poder Judiciário brasileiro. |